Política

Denúncia em Porto Velho: deputada relata urnas lacradas e eleitores impedidos de votar após decisão de Zanin

Cristiane Lopes afirma ter encontrado escolas fechadas e equipamentos eleitorais lacrados na capital de Rondônia. Decisão do ministro do STF prorrogou a votação até as 19h, no horário de Brasília, mas a aplicação da medida gerou confusão em locais onde o procedimento já havia sido encerrado.

Uma denúncia feita pela deputada federal Cristiane Lopes, reeleita por Rondônia, levantou questionamentos sobre o encerramento da votação em escolas de Porto Velho neste domingo (25). Em vídeos e áudios gravados diante de locais de votação, a parlamentar relata ter encontrado portões fechados, urnas eletrônicas lacradas e eleitores que, segundo ela, não conseguiram votar após o horário inicialmente previsto para o encerramento das eleições.

A situação ocorreu em meio à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, pelo horário de Brasília. A medida foi anunciada pouco antes do encerramento previsto para as 17h e provocou dúvidas sobre os procedimentos que deveriam ser adotados nas seções eleitorais que já haviam concluído os trabalhos.

Deputada percorreu escolas e relatou dificuldades

Em uma das gravações, Cristiane Lopes afirma estar em frente à Escola Carmela Dutra, em Porto Velho, onde, segundo seu relato, pessoas teriam comparecido para votar, mas não conseguiram entrar.

A parlamentar também menciona a Escola Duque de Caxias. De acordo com ela, fiscais informaram que não seria mais possível permitir a entrada de eleitores para votar.

Durante a gravação, a deputada questiona o encerramento das atividades eleitorais diante da decisão judicial que ampliou o prazo de votação.

Em outro trecho, ela afirma ter registrado imagens de urnas lacradas e diz que equipamentos aguardavam o transporte para serem recolhidos.

A parlamentar também cita a Escola Antônio Ferreira, onde relata ter encontrado os portões fechados e procurou informações sobre o destino das urnas eletrônicas.

As declarações levantam dúvidas sobre a comunicação das orientações da Justiça Eleitoral aos responsáveis pelas seções e sobre a situação dos eleitores que ainda pretendiam votar após o horário inicialmente estabelecido.

Eleitores também relatam dificuldades

Além das manifestações da deputada, o material apresentado inclui o relato de uma eleitora que afirma ter percorrido escolas para verificar se os locais permaneciam abertos.

Nos áudios, ela questiona se ainda seria possível votar e procura informações sobre o fechamento dos portões e o recolhimento das urnas.

Os relatos apontam para uma possível falha de comunicação entre as determinações judiciais e os procedimentos adotados em alguns locais de votação da capital rondoniense.

Até que os fatos sejam esclarecidos oficialmente, porém, não é possível afirmar apenas com base nas gravações que houve descumprimento deliberado de uma ordem judicial em cada uma das escolas mencionadas.

O que determinou Cristiano Zanin?

A decisão do ministro Cristiano Zanin estabeleceu a prorrogação do recebimento de votos até as 19h, no horário de Brasília, em razão de relatos de dificuldades no transporte de eleitores.

Posteriormente, o ministro esclareceu que a extensão deveria ser aplicada às seções cujas urnas ainda não haviam sido fechadas. Os votos registrados em equipamentos já encerrados deveriam ser computados normalmente, sem necessidade de reabertura dessas urnas.

Em Rondônia, que segue o horário de uma hora atrás do horário de Brasília, o novo limite correspondia às 18h locais.

A diferença entre o horário inicialmente previsto, o momento em que a decisão foi divulgada e a situação operacional de cada seção criou dificuldades em diferentes partes do país. Relatos de eleitores impedidos de votar e de mesários sem orientações claras também foram registrados em outros estados.

TRE-RO precisa esclarecer o que ocorreu em Porto Velho

Diante das declarações da deputada, a principal questão é esclarecer a situação de cada local de votação citado nas gravações.

É necessário verificar em que horário as urnas foram efetivamente encerradas, quando os responsáveis pelas seções receberam a determinação judicial e se havia eleitores aguardando atendimento no momento em que os procedimentos foram concluídos.

Também é importante esclarecer se as escolas mencionadas já haviam encerrado regularmente a votação antes da divulgação da decisão ou se houve alguma falha na transmissão e no cumprimento das orientações posteriores.

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) é a autoridade competente para esclarecer os procedimentos adotados no estado e informar se recebeu denúncias formais sobre os episódios relatados.

Até a divulgação de esclarecimentos oficiais específicos sobre as escolas citadas, as declarações de Cristiane Lopes devem ser tratadas como denúncias que precisam ser verificadas.

O episódio reforça a necessidade de transparência na condução do processo eleitoral e de informações claras aos eleitores, especialmente em situações excepcionais que alteram os procedimentos previstos para o encerramento da votação.

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