Menos produto, mesmo preço: a inflação escondida que pesa no bolso do consumidor

Por Joéliton Menezes
A inflação já não aparece apenas nas etiquetas dos supermercados. Cada vez mais, ela está escondida dentro das embalagens. Em vez de reajustar os preços e correr o risco de perder clientes, muitas empresas adotam uma estratégia silenciosa: reduzem a quantidade do produto, diminuem o peso ou o volume da embalagem, mas mantêm o mesmo valor nas prateleiras.
Na prática, o consumidor leva menos para casa pagando exatamente a mesma quantia. É o chamado “reduflação” ou “shrinkflation”, uma prática legal quando a mudança é informada na embalagem, mas que, na maioria das vezes, passa despercebida pela população.
Pacotes de biscoitos, barras de chocolate, café, leite condensado, papel higiênico, produtos de limpeza e diversos outros itens já sofreram redução de peso ou volume nos últimos anos. A embalagem continua praticamente igual, o preço permanece o mesmo, mas o conteúdo diminui.
Embora as empresas justifiquem a medida como uma alternativa para enfrentar o aumento dos custos de produção sem elevar os preços, quem acaba pagando a conta é o consumidor. No fim das contas, trata-se de um aumento disfarçado, que reduz o poder de compra das famílias e dificulta a percepção da inflação real.
Especialistas orientam que os consumidores comparem o preço por quilo, litro ou unidade, e não apenas o valor estampado na etiqueta. Essa é uma das poucas formas de perceber quando um produto ficou, na prática, mais caro.
Enquanto o custo de vida continua subindo, muitos brasileiros sequer percebem que estão comprando menos. A sensação de que “o dinheiro rende cada vez menos” tem uma explicação simples: a embalagem encolheu, mas a conta continua do mesmo tamanho.




