URNAS ELETRÔNICAS EM CAMINHONETE COM ADESIVO DO PT: TSE CONFIRMA O TRANSPORTE E SE MANIFESTA

Vídeo mostra equipamentos sendo colocados em veículo identificado com numeração do partido no Riacho Fundo II. Justiça Eleitoral reconheceu que o transporte contrariou as regras e informou que o TRE-DF investiga o caso.
Um vídeo que circulou nas redes sociais após o segundo turno das eleições de 2026 chamou a atenção ao mostrar urnas eletrônicas sendo transportadas em uma caminhonete branca com identificação visual do Partido dos Trabalhadores (PT), no Riacho Fundo II, região administrativa do Distrito Federal.
O episódio não foi desmentido pela Justiça Eleitoral. Pelo contrário: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a ocorrência em uma checagem publicada no dia 28 de outubro, por meio da plataforma Fato ou Boato.
Nas imagens, um homem grava a movimentação próximo ao portão de uma escola utilizada como local de votação. Uma mulher aparece carregando caixas identificadas como urnas eletrônicas e as entrega a um homem, que coloca os equipamentos na carroceria de uma caminhonete.
Na parte traseira do veículo é possível observar uma identificação vermelha com os números 26 e 13, sendo o número 13 associado ao PT.
O que explicou o TSE?
Segundo a Justiça Eleitoral, a utilização de veículo com identificação partidária para transportar urnas contraria as normas estabelecidas para a logística eleitoral.
O tribunal apontou que a Resolução TRE-DF nº 8.140/2026 exige neutralidade político-partidária na identificação dos veículos utilizados nesse tipo de transporte.
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) informou que recebeu informações do cartório eleitoral responsável e abriu apuração para identificar as responsabilidades pelo ocorrido.
A regulamentação permite que administradores e supervisores dos locais de votação utilizem veículos próprios para devolver urnas e materiais à Junta Eleitoral, desde que cumpram os procedimentos de autorização, segurança e entrega mediante recibo. Entretanto, esses veículos não podem apresentar identificação partidária.
Por que o TSE afirma que os votos não foram comprometidos?
Apesar de reconhecer a irregularidade no transporte, o TSE explicou que os procedimentos de votação e apuração já haviam sido concluídos quando as urnas foram recolhidas.
De acordo com o esclarecimento oficial:
- Os resultados já haviam sido apurados nas próprias seções eleitorais.
- Os Boletins de Urna já tinham sido impressos.
- As mídias com os resultados já haviam sido transmitidas ao sistema da Justiça Eleitoral.
- Os resultados poderiam ser conferidos publicamente por meio dos boletins e dos dados disponibilizados na internet.
O TSE sustenta, portanto, que o transporte irregular dos equipamentos não alterou os votos registrados nem comprometeu a totalização dos resultados.
O que ainda precisa ser esclarecido?
Embora a Justiça Eleitoral tenha afirmado que os votos não foram comprometidos, permanece a investigação sobre quem autorizou ou realizou o transporte e por que foi utilizado um veículo com identificação partidária, contrariando as regras eleitorais.
É importante diferenciar duas questões: a irregularidade administrativa no transporte das urnas e uma eventual interferência no resultado da votação. Até o momento, a manifestação oficial do TSE reconhece a primeira, mas afirma que não houve comprometimento dos votos.
O caso reforça a importância da transparência e da fiscalização dos procedimentos eleitorais, especialmente em atividades que exigem neutralidade e cumprimento rigoroso das normas da Justiça Eleitoral.


