Polícia

Doze mulheres denunciam pastor e psicólogo por crimes sexuais em Porto Velho, aponta denúncia

Líder religioso foi preso preventivamente em setembro de 2026; relatos apontam supostos abusos em consultório psicológico e no ambiente religioso.

Pelo menos 12 mulheres procuraram o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), em um intervalo de dois meses, para denunciar o pastor e psicólogo Aluizio Vidal Flor, de 58 anos, por supostos crimes sexuais. O caso, registrado em Porto Velho, ganhou repercussão após uma série de relatos que apontam possíveis abusos ao longo de aproximadamente duas décadas.

As informações foram divulgadas pelo portal g1 Rondônia, que entrevistou uma das mulheres responsáveis por impulsionar as denúncias. O religioso foi preso preventivamente em setembro de 2026 e denunciado à Justiça após a conclusão de uma das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Segundo a reportagem, os depoimentos apresentam semelhanças e mencionam situações que teriam ocorrido tanto no consultório de atendimento psicológico quanto nos bastidores da igreja frequentada pelas vítimas.

Denúncia de uma mulher encorajou outras vítimas

Uma das denunciantes, identificada como Mirian Rios, procurou o pastor em busca de orientação para enfrentar problemas conjugais. Ela afirma que confiava nele por sua atuação como psicólogo e também por sua posição de liderança religiosa.

De acordo com o relato publicado pelo portal, Mirian afirma que, durante uma sessão de terapia, o profissional teria ultrapassado os limites éticos e pessoais da relação entre psicólogo e paciente.

Antes de recorrer às autoridades, ela tentou denunciar a situação dentro da própria igreja, em abril de 2026. A análise foi conduzida por um grupo de 13 homens, entre presbíteros e representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Na ocasião, as acusações mais graves foram consideradas sem comprovação suficiente. O pastor recebeu uma punição interna por falas consideradas impróprias, após admitir que havia feito comentários sobre o corpo da mulher. Outras condutas relatadas por ela, como contatos físicos e uma suposta tentativa de beijo, não foram consideradas comprovadas naquele procedimento.

Mirian contou ao g1 que, após apresentar a denúncia, passou a enfrentar situações de constrangimento, descrédito e exclusão no ambiente religioso.

Diante do ocorrido, decidiu procurar o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), vinculado ao Ministério Público de Rondônia. Seu relato contribuiu para que outras mulheres também procurassem as autoridades.

Relatos apontam situações semelhantes

Conforme informações apresentadas pelo Ministério Público, o investigado teria se aproveitado da posição de confiança que ocupava como psicólogo e pastor para abordar mulheres que buscavam ajuda em momentos de fragilidade emocional.

Entre as situações mencionadas nos depoimentos estão crises conjugais, perdas gestacionais e traumas familiares.

Uma das mulheres ouvidas pela reportagem, que preferiu não revelar a identidade, relatou que foi paciente do profissional por mais de dez anos. Segundo ela, durante uma sessão realizada no ano passado, o psicólogo teria declarado interesse sexual e tentado levantar sua blusa.

A denunciante também afirmou que ele teria utilizado técnicas descritas como hipnose ou relaxamento durante os atendimentos.

Os relatos ainda precisam ser analisados no âmbito das investigações e dos procedimentos judiciais, respeitando-se o direito de defesa do acusado.

Ministério Público apresentou denúncia à Justiça

De acordo com a reportagem do g1 Rondônia, o primeiro inquérito policial concluído reuniu depoimentos de oito mulheres. Com base nessa investigação, o Ministério Público ofereceu denúncia à Justiça em relação a crimes supostamente cometidos contra quatro delas.

Segundo as informações divulgadas, duas mulheres foram incluídas na denúncia por suspeita de estupro, enquanto os outros casos envolvem acusações de violação sexual.

Em relação às outras quatro mulheres ouvidas nesse primeiro inquérito, o Ministério Público solicitou o arquivamento parcial dos fatos, considerando questões como a prescrição de determinadas condutas e a ausência, à época dos acontecimentos, de tipificação penal específica para a importunação sexual.

Posteriormente, outras quatro mulheres também procuraram a polícia, levando à abertura de uma segunda investigação.

O processo tramita sob sigilo judicial. Até o momento descrito na reportagem, Aluizio Vidal permanecia preso preventivamente.

Após a prisão, a defesa do pastor declarou ao g1 Rondônia acreditar que as investigações comprovariam sua inocência. Quando procurado novamente após o oferecimento da denúncia à Justiça, o advogado optou por não se manifestar.

A reportagem também informou que os responsáveis pela igreja foram procurados, mas decidiram não comentar o caso.

Como denunciar casos de violência

O Ministério Público de Rondônia mantém o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), que oferece acolhimento, orientação e encaminhamento a pessoas em situação de violência.

As denúncias e os pedidos de orientação podem ser feitos pelos seguintes canais:

  • Navit — WhatsApp: (69) 99906-6411
  • Navit — Ligação: (69) 98408-9931
  • Polícia Civil: 197, inclusive para denúncias anônimas.
  • Central de Atendimento à Mulher: 180, para orientação e encaminhamento, 24 horas por dia.
  • Polícia Militar: 190, em situações de emergência.

O caso segue sob apuração das autoridades competentes, e as acusações deverão ser analisadas pela Justiça.

Fonte: g1 Rondônia — reportagem sobre as denúncias contra o pastor e psicólogo Aluizio Vidal Flor, em Porto Velho (RO).

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