Novo Senado terá 54 senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF, aponta levantamento

Composição que assume em 2027 reúne número equivalente a dois terços da Casa em defesa da possibilidade de cassação de integrantes da Corte
O resultado das eleições para o Senado redesenhou a correlação de forças entre Legislativo e Supremo Tribunal Federal. Um levantamento divulgado após a eleição aponta que 54 dos 81 senadores que estarão na Casa a partir de 2027 já declararam apoio à possibilidade de impeachment de ministros do STF.
O número corresponde exatamente a dois terços do Senado — percentual que ganhou importância ainda maior depois de uma decisão do ministro Gilmar Mendes estabelecer que são necessários 54 votos para o avanço de processos de impeachment contra integrantes da Suprema Corte.
O estudo foi elaborado pelo Ranking dos Políticos a partir de manifestações públicas de senadores que permanecerão no cargo e dos parlamentares eleitos ou reeleitos em 4 de outubro. Entre os 54 nomes identificados como favoráveis, 37 foram eleitos ou reeleitos neste ano.
A mudança é significativa porque transforma o impeachment de ministros do Supremo em uma pauta com presença mais ampla dentro do Senado. O movimento ganhou força durante a campanha eleitoral, especialmente entre candidatos ligados à direita, mas também encontrou defensores fora desse campo político.
Número não representa votos automáticos
Apesar de o levantamento apontar exatamente 54 senadores favoráveis à medida, o dado não deve ser interpretado como a existência de uma maioria já formada para retirar um ministro do cargo.
Há uma diferença entre defender que o impeachment seja utilizado como instrumento político e jurídico e decidir pela cassação de um integrante específico do Supremo diante de uma denúncia concreta.
O próprio diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, fez essa distinção ao comentar o resultado. Segundo ele, o levantamento mostra uma mudança na dimensão da pauta dentro do Senado, mas não permite afirmar que os 54 parlamentares votariam pela condenação de um determinado ministro.
Outro levantamento publicado pela Folha de S.Paulo chegou a um número diferente: 49 senadores favoráveis, cinco abaixo dos 54 votos necessários. A diferença está relacionada aos critérios utilizados para classificar as manifestações dos parlamentares.
Disputa entre Legislativo e Supremo
A discussão sobre o impeachment de ministros do STF ganhou espaço no debate eleitoral de 2026. O PL, que ampliou sua presença no Senado, e outros grupos de oposição defenderam durante a campanha uma atuação mais incisiva do Legislativo em relação à Corte.
O novo cenário também chamou a atenção dentro do próprio Supremo. Segundo relato publicado pelo UOL, um ministro da Corte avaliou a nova composição do Senado como um cenário de forte preocupação para o tribunal, diante tanto da possibilidade de processos de impeachment quanto de mudanças nas atribuições do Supremo.
O Senado terá papel central nesse embate porque a Constituição atribui à Casa a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. O próprio Senado informa que, até hoje, nenhum pedido de impeachment contra ministro do Supremo chegou a ser aprovado.
O que muda a partir de 2027
A nova composição não significa que um ministro do STF será necessariamente afastado. O que muda, de acordo com os levantamentos disponíveis, é o tamanho do grupo de senadores que admite utilizar esse mecanismo.
Caso o número de 54 parlamentares favoráveis se confirme politicamente ao longo da próxima legislatura, o impeachment de ministros do Supremo deixará de depender apenas de uma minoria disposta a defender a medida e passará a contar com apoio potencial equivalente ao quórum de dois terços do Senado.
A efetivação de qualquer processo, entretanto, dependerá das circunstâncias de cada caso, da posição individual dos senadores e da tramitação prevista para denúncias contra integrantes da Corte.
O resultado das urnas, portanto, não determina o destino de nenhum ministro, mas revela uma mudança concreta no ambiente político em que Senado e Supremo estarão inseridos a partir de 2027.


