Paciente de Rondônia recebe polilaminina após lesão grave na medula

Homem de 39 anos é o primeiro paciente da rede pública do estado a receber polilaminina; tratamento ainda passa por estudos para comprovar eficácia e segurança
Um homem de 39 anos, que sofreu um grave acidente de trânsito, tornou-se o primeiro paciente atendido pela rede pública de Rondônia a receber uma aplicação de polilaminina, substância experimental que vem sendo estudada como possível alternativa para o tratamento de lesões na medula espinhal. O procedimento ocorreu na segunda-feira (14), no Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro).
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o paciente sofreu um trauma severo na região torácica da coluna no sábado (12). Após receber os primeiros atendimentos, ele precisou passar por cirurgia. A lesão, entretanto, resultou em paraplegia. A identidade do homem não foi divulgada.
Substância ainda está em fase de pesquisa
A polilaminina é produzida em laboratório a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo humano e que desempenha funções importantes na formação e organização dos tecidos, principalmente durante o desenvolvimento embrionário.
Apesar de resultados considerados promissores em etapas iniciais das pesquisas, a substância ainda não possui eficácia e segurança comprovadas de forma definitiva. O tratamento precisa passar pelas diferentes fases dos estudos clínicos antes de qualquer conclusão sobre seus efeitos.
A Anvisa autorizou o início da fase 1 dos testes, etapa destinada principalmente à avaliação da segurança do procedimento.
A pesquisa é coordenada pela cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Profissionais integrantes da equipe da pesquisadora acompanharam a aplicação realizada em Cacoal.
Aplicação ocorreu dentro do período estudado
De acordo com o pesquisador Mittler Maya, que acompanha o caso, o paciente recebeu a substância dentro da janela de tempo estabelecida pelo protocolo da pesquisa.
Segundo ele, mais de 100 casos já foram avaliados no país, mas menos de dez pacientes conseguiram receber a aplicação nas primeiras 72 horas após a ocorrência da lesão, período considerado no estudo.
O pesquisador ressalta, porém, que não é possível garantir antecipadamente que o paciente recuperará os movimentos ou voltará a andar.
“A gente não pode prometer que o paciente vai voltar a andar, que ele vai voltar tudo normalmente”, afirmou Maya.
Ele acrescentou que a equipe tem observado evolução em alguns pacientes que receberam a substância, mas destacou que os resultados ainda precisam ser analisados dentro dos critérios científicos da pesquisa.
Recuperação ainda é incerta
Nos primeiros estudos conduzidos pela equipe de Tatiana Sampaio, apenas um paciente recuperou a capacidade de caminhar. Em uma etapa mais recente, pouco mais de 100 pessoas receberam a polilaminina no Brasil em caráter compassivo, mas, até o momento, nenhuma delas voltou a andar.
Por se tratar de uma terapia experimental, a Sesau reforça que não há garantia de recuperação da mobilidade ou da sensibilidade. O paciente de Cacoal continuará sendo acompanhado pela equipe médica, seguindo os protocolos estabelecidos para a pesquisa.
Os próximos acompanhamentos serão importantes para avaliar a evolução do quadro e reunir informações sobre os possíveis efeitos da substância no tratamento da lesão medular.


