Geral

Após uma década, júri começa em Ariquemes para julgar, incluindo três PMs, acusados de mortes de dois jovens

Cinco pessoas são julgadas por crimes ocorridos em 2016; uma das vítimas foi encontrada carbonizada e o corpo da outra jamais foi localizado

Mais de dez anos depois dos crimes que chocaram a região de Ariquemes, começa nesta segunda-feira (14) o julgamento de cinco pessoas acusadas de envolvimento nas mortes de Ruan Lucas Hildebrandt, de 18 anos, e Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23. A sessão ocorre em Ariquemes, em Rondônia, e, conforme o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), deve se estender por cinco dias.

O caso remonta ao período entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2016. Alysson foi localizado morto dentro de um veículo que havia sido incendiado nas proximidades de uma fazenda, na zona rural de Cujubim. O corpo estava carbonizado. Já Ruan desapareceu na mesma época e nunca mais foi encontrado.

Julgamento já havia sido realizado

Esta não é a primeira vez que os acusados sentam no banco dos réus. Em agosto de 2017, uma primeira tentativa de julgamento acabou interrompida depois que um dos advogados de defesa não compareceu ao fórum.

Dois meses depois, em outubro daquele ano, o processo voltou a ser levado ao Tribunal do Júri de Ariquemes. Testemunhas foram ouvidas nos primeiros dias e, posteriormente, os réus passaram pelos interrogatórios. No entanto, a decisão daquele julgamento acabou anulada, fazendo com que o processo retornasse à fase de julgamento.

Quem são os acusados

Segundo informações do TJRO, respondem ao processo o proprietário da fazenda onde os fatos teriam ocorrido, um homem apontado como amigo dele e três policiais militares.

Entre os agentes está um sargento da reserva que era lotado em Ji-Paraná, além de dois policiais que pertenciam ao 7º Batalhão da Polícia Militar, com atuação em Ariquemes e Cujubim.

Como o crime teria acontecido

Conforme descrito no processo, o proprietário de uma área rural em Cujubim teria contratado uma estrutura de segurança particular e clandestina para impedir novas invasões da propriedade.

Antes dos acontecimentos, a fazenda havia sido alvo de duas ações de reintegração de posse. Apesar da retirada dos ocupantes, grupos de sem-terra teriam retornado posteriormente ao local.

Ainda segundo a acusação, o fazendeiro teria oferecido R$ 105 mil ao amigo para executar o serviço. Caberia a ele, conforme o processo, recrutar policiais militares para integrar o grupo e impedir que os sem-terra entrassem ou se aproximassem da propriedade.

Corpo carbonizado e desaparecimento

Em 1º de fevereiro de 2016, um automóvel incendiado foi encontrado na área próxima à fazenda. Dentro do veículo havia um corpo completamente carbonizado. Após os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML), a vítima foi identificada como Alysson Henrique de Sá Lopes.

Na mesma época, forças de segurança iniciaram buscas por Ruan Lucas. A operação contou com equipes da Força Tática, Grupo de Operações Especiais (GOE), aeronave Falcão 02 e cães do canil do 2º Batalhão da PM, de Ji-Paraná, além do Corpo de Bombeiros.

Apesar da mobilização, Ruan não foi localizado. As buscas oficiais foram encerradas quatro dias depois, mas o paradeiro do jovem continua desconhecido até hoje.

Confronto com a própria polícia

Outro episódio que marcou a investigação foi um confronto envolvendo integrantes do grupo de vigilância clandestina e policiais militares.

Durante a ocorrência, os suspeitos chegaram a trocar tiros com equipes da própria Polícia Militar. Uma caminhonete ligada ao grupo foi localizada e, dentro dela, os policiais encontraram diversas armas de fogo.

Agora, mais de uma década após os acontecimentos, os cinco acusados voltam a ser julgados. O Tribunal do Júri deverá analisar as provas reunidas no processo e ouvir as partes para decidir sobre a responsabilidade de cada réu nos crimes investigados.

 Foto do veículo incendiado: Veja Notícias/Reprodução

Imagem de capa: Reprodução

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo