Avalanche no Nepal,deixa 335 mortos e desaparecidos passam de 1.500

Mais de 1.500 pessoas seguem desaparecidas, incluindo centenas de estrangeiros, enquanto autoridades alertam para o risco de uma segunda inundação.
O número de mortos provocado por uma devastadora avalanche de lama na fronteira do Nepal com a China subiu para 335 nesta quinta-feira (27), após o colapso de uma geleira atingir o leito de um rio na quarta-feira (26). A tragédia gerou uma enorme enxurrada de água, lama e detritos que destruiu vilarejos e estruturas na região, deixando mais de 1.500 pessoas desaparecidas nas áreas afetadas dos dois países.
Balanço de vítimas e estrangeiros desaparecidos
Do total de mortes confirmadas até o momento, 332 foram registradas em território nepalês e três na região do Tibete, na China. No Nepal, as autoridades contabilizam 823 desaparecidos, dos quais mais de 700 são cidadãos estrangeiros que estavam no país para turismo ou em peregrinações. O Departamento de Turismo local informou que 517 estrangeiros já foram identificados formalmente na lista de buscas.
Entre as nacionalidades estrangeiras com pessoas desaparecidas no Nepal, destacam-se os seguintes registros:
Índia: 178 pessoas
Estados Unidos: 65 pessoas
Ucrânia: 53 pessoas
Malásia: 51 pessoas
Austrália: 35 pessoas
Reino Unido: 33 pessoas
Canadá: 25 pessoas
Na região do Tibete, outras 558 pessoas permanecem desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros, de acordo com informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa.
Causa da tragédia e destruição local
Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, e não por um abalo sísmico. A queda maciça de gelo e rochas atingiu o rio, desencadeando a enxurrada violenta.
No Nepal, a enchente causou severa destruição nas áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi. A região de Gyirong, no Tibete, também sofreu graves impactos. Casos de destruição de pontes, estradas, residências e instalações de energia foram relatados em toda a faixa fronteiriça.
Operações de resgate e risco de nova inundação
As equipes de resgate avançam com extrema dificuldade devido ao acúmulo de lama e escombros que bloqueiam o acesso às comunidades isoladas. O Exército nepalês mobilizou aeronaves para realizar sobrevoos e resgatar dezenas de sobreviventes, enquanto moradores de áreas ribeirinhas receberam ordens de evacuação.
Especialistas fazem um alerta crítico para a possibilidade de novos desastres na região. Há um grande bloqueio de detritos em uma área mais elevada do rio na fronteira entre o Nepal e a China. O diretor de riscos climáticos do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), Qianggong Zhang, destacou à imprensa que existe um risco real de ocorrer uma segunda inundação.
Apoio internacional e contexto climático
Diante da gravidade da situação, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a prioridade absoluta das forças de resgate é localizar as pessoas desaparecidas. Por sua vez, os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) para apoiar os trabalhos de emergência.
As chuvas de monção costumam provocar inundações na Ásia Meridional entre os meses de junho e setembro. Contudo, cientistas reforçam que o avanço do aquecimento global pode estar tornando esses eventos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes e intensos na região montanhosa.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Foto: Navesh Chitrakar/Reuters


