Investigado por ligação com Jeffrey Epstein, Daniel Siad é encontrado morto na França

Daniel Siad, recrutador de modelos investigado por sua ligação com o caso Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência nos arredores de Paris. Ele tinha 69 anos.
O Ministério Público de Nanterre informou que as autoridades francesas abriram uma investigação para esclarecer as circunstâncias da morte. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a causa do óbito, que será determinada por meio de autópsia.
Siad era investigado por atuar, durante mais de uma década, como intermediário entre Jeffrey Epstein e jovens mulheres apresentadas como modelos.
Ligação com Jeffrey Epstein
O nome de Daniel Siad aparece mais de mil vezes nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso Epstein. Segundo os registros, ele recebeu dezenas de milhares de dólares do financista ao longo dos anos.
As mensagens reveladas mostram que Siad enviava com frequência fotografias de jovens mulheres encontradas durante viagens internacionais e organizava encontros entre elas e Epstein.
Em uma das conversas, escreveu: “Uma francesa bonita em Marrakech… Ela disse que ficaria feliz em conhecê-lo.”
Em outra troca de mensagens, afirmou que procurava uma “assistente jovem e bonita” para Epstein. Ao enviar a foto de uma candidata, disse que ela poderia atuar como “modelo” ou “assistente”. Epstein respondeu apenas que ela era “velha demais”.
Relação continuou após condenação
Mesmo após a condenação de Jeffrey Epstein por crimes sexuais, em 2008, Siad manteve contato com o empresário.
De acordo com uma investigação da CNN, profissionais da indústria da moda continuaram buscando oportunidades de negócios com Epstein, convidando-o para eventos e permitindo que ele permanecesse próximo ao mercado de modelos.
Em entrevista recente à emissora, Siad afirmou que acreditava nas explicações dadas por Epstein.
Segundo ele, o financista dizia que já havia “pago por seus crimes” e garantia que “isso jamais aconteceria com ninguém” apresentado pelo recrutador.
“Eu confiava nele e acreditava que aquele homem era um profissional. Nunca ouvi nada de ninguém que eu lhe apresentei relatando ter passado por uma situação ruim.”
Na mesma entrevista, Siad também afirmou acreditar que Epstein atuava como diretor de elenco da Victoria’s Secret e da agência MC2.
Mulheres relataram abusos
As declarações de Siad contradizem o relato de duas mulheres entrevistadas pela CNN. Ambas afirmaram que foram apresentadas a Jeffrey Epstein pelo recrutador francês e disseram ter sofrido abusos cometidos pelo empresário.
Apesar dos depoimentos, Siad afirmou que não tinha motivos para acreditar que elas seriam vítimas quando fez as apresentações.
Além das investigações relacionadas ao caso Epstein, Daniel Siad também respondia a outras acusações na França. Uma modelo o acusava de estupro por um crime que teria ocorrido em 1990, quando trabalhava no país. Siad negava a acusação.
Ele também era alvo de um inquérito conduzido pela unidade francesa especializada no combate ao tráfico de seres humanos. Segundo o Ministério Público, o agente morreu antes de ser interrogado pelas autoridades.



