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Itaú é acusado de manter cobranças de clientes por 14 anos — “sem eles perceberem”

Um acordo firmado entre o Itaú e o Ministério Público de Minas Gerais trouxe à tona uma prática que teria afetado milhares de correntistas ao longo de 14 anos. Segundo documentos de uma ação civil coletiva, o banco reconheceu a realização de cobranças referentes a serviços que não haviam sido solicitados nem contratados por clientes de cartões de crédito.

Embora não exista um cálculo oficial sobre o montante movimentado pelas cobranças, as estimativas apontam para cifras bilionárias. Com uma base de aproximadamente 100 milhões de clientes, mesmo descontos de baixo valor, aplicados de forma recorrente durante anos, podem representar uma arrecadação expressiva.

De acordo com o processo, os valores debitados variavam entre R$ 10 e R$ 30 por mês. Considerando uma média de R$ 20 mensais e que apenas uma parcela dos clientes tenha sido atingida, o total arrecadado ao longo do período pode alcançar dezenas de bilhões de reais.

A ação judicial também aponta que o banco teria adotado mecanismos para dificultar a identificação das cobranças pelos consumidores. Entre as práticas descritas estão a apresentação pouco clara dos débitos nas faturas, obstáculos para o cancelamento dos serviços e procedimentos que favoreciam a continuidade dos descontos.

O caso ganhou repercussão após a divulgação do acordo celebrado com o Ministério Público. No entanto, críticos da negociação afirmam que as regras estabelecidas para a devolução dos valores acabam tornando difícil o ressarcimento de muitos clientes que alegam ter sido prejudicados.

A controvérsia reacendeu o debate sobre a transparência nas relações entre instituições financeiras e consumidores, além da necessidade de fiscalização para impedir cobranças realizadas sem consentimento prévio dos usuários.

Imagem: Adrian Michael

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