Justiça Federal proíbe abate de jumentos no nordeste e aponta risco de extinção da espécie

Jornalismo – OMadeira
Uma decisão da Justiça Federal determinou a suspensão imediata do abate de jumentos em todo o estado da Bahia. A medida, considerada um marco por organizações de proteção animal, atende a uma ação movida por entidades que denunciam irregularidades na exploração da espécie.
A sentença foi assinada pela juíza Arali Maciel Duarte, que reconheceu a existência de maus-tratos na criação dos animais, falhas sanitárias nos abatedouros e o risco concreto de desaparecimento dos jumentos no país. A decisão determina a interrupção imediata das atividades relacionadas ao abate, além da retirada dos animais de frigoríficos, propriedades rurais e transportes.
O aumento da exploração desses animais no Brasil ganhou força a partir de 2018, impulsionado pela exportação de peles para a China, onde são utilizadas na fabricação do ejiao — produto da medicina tradicional associado a benefícios como rejuvenescimento e aumento de vigor, embora sem comprovação científica.
Dados do Ministério da Agricultura indicam que, entre 2021 e abril deste ano, mais de 173 mil jumentos foram abatidos apenas na Bahia. O município de Amargosa aparece como um dos principais polos dessa atividade.
Especialistas alertam que a exploração intensiva, aliada à falta de uma cadeia produtiva estruturada, tem provocado uma redução drástica da população desses animais. Levantamentos do IBGE e da FAO apontam uma queda de cerca de 94% no número de jumentos no país entre 1996 e 2024.
A decisão também responsabiliza a União, o governo estadual e a ADAB, que deverão adotar medidas para impedir práticas como captura, comercialização, confinamento e abate dos animais. Além disso, os jumentos atualmente em abatedouros ou fazendas deverão ser encaminhados para santuários.
A ação judicial foi proposta por entidades como a União Defensora dos Animais, a REMCA, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e a The Donkey Sanctuary.
Para especialistas, a decisão representa um passo importante na preservação da espécie e na tentativa de conter o avanço de práticas consideradas insustentáveis.



