Após anos de fidelidade, Confúcio Moura desiste da reeleição e é ignorado pelo PT

A decisão do senador Confúcio Moura de não disputar a reeleição em 2026 abriu um debate importante nos bastidores políticos de Rondônia. Depois de semanas de especulações, o anúncio parece confirmar um rearranjo de forças no estado, principalmente após a decisão do governador Marcos Rocha de permanecer no cargo.
Confúcio construiu uma trajetória longa e consolidada na política rondoniense. Médico de formação, iniciou sua carreira pública com forte atuação na área da saúde, ganhou projeção ao ser eleito prefeito de Ariquemes por dois mandatos e, posteriormente, chegou ao governo de Rondônia em 2010, sendo reeleito em 2014. Em 2018, foi eleito senador da República, ampliando sua atuação para o cenário nacional e consolidando seu nome como uma das principais lideranças políticas do estado.
Nos últimos anos, porém, o senador também ficou marcado por seu alinhamento político ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela proximidade com setores da esquerda, especialmente com o Partido dos Trabalhadores.
Essa aproximação levantou questionamentos dentro do próprio cenário político local, já que o MDB de Confúcio historicamente transitou por diferentes campos políticos.
O episódio mais recente que alimenta esse debate ocorreu no encontro promovido pelo Partido dos Trabalhadores no dia 28 de março, em Cacoal. No evento, que reuniu lideranças e discutiu os rumos da eleição de 2026, o nome de Confúcio Moura sequer foi citado, algo que chamou a atenção de observadores políticos.
Durante o encontro, o pré-candidato ao governo pelo PT, Expedito Neto, afirmou que o partido pretende lançar candidaturas próprias e deixou claro que não havia uma definição sobre o espaço político de Confúcio dentro do projeto da legenda.
A declaração reforçou a percepção de que o partido estaria se afastando da figura do senador.
O cenário levanta uma questão inevitável nos bastidores da política rondoniense: depois de demonstrar fidelidade política e apoio ao campo liderado por Lula, Confúcio Moura acabou sendo deixado de lado justamente por aqueles que ajudou a fortalecer no estado?
Seja por cálculo político, estratégia eleitoral ou simplesmente mudança de prioridades partidárias, o fato é que o distanciamento do PT expõe um possível isolamento do senador no atual tabuleiro político. Resta saber se Confúcio decidiu encerrar sua trajetória por vontade própria ou se apenas percebeu que, no jogo político, a lealdade nem sempre garante reciprocidade.
🤳BRENO ESAKI/METRÓPOLES



