DUAS SEMANAS DEPOIS DE ENVIAR ORÇAMENTO SEM REAJUSTE, GOVERNO LULA MUDA DE RUMO E AUMENTA BOLSA FAMÍLIA

A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (17), um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. Com a medida, o valor mínimo pago por família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777.
A mudança ocorre cerca de duas semanas depois de o governo encaminhar ao Congresso a proposta do Orçamento de 2027 sem previsão para o reajuste. No projeto apresentado no fim de agosto, o programa tinha R$ 157,1 bilhões previstos e mantinha o benefício mínimo em R$ 600.
Agora, o governo afirma que encontrou espaço fiscal para incorporar o aumento. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a correção repõe a inflação acumulada pelo INPC desde o início da atual versão do programa até agosto de 2026, calculada em 15,04%.
O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. O novo valor será aplicado na folha de outubro, com pagamentos a partir de 19 de outubro.
O anúncio acontece em meio à disputa eleitoral de 2026. A proximidade entre a mudança no benefício e o primeiro turno — marcado para 4 de outubro — colocou o reajuste no centro do debate político. O governo, por sua vez, sustenta que se trata de uma recomposição inflacionária prevista na legislação e que a medida será acomodada dentro do espaço fiscal disponível.


