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Amiga de Lulinha e ligada ao Careca do INSS: Fantástico revela histórico de dívidas de empresária investigada pela PF

Reportagem exibida pela TV Globo detalha ações judiciais envolvendo Roberta Luchsinger , atualmente investigada por suspeitas de corrupção e tráfico de influência

Por Jornal OMadeira

Uma reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, trouxe novos detalhes sobre o histórico judicial da empresária e lobista Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal em um inquérito que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Segundo a reportagem, assinada pelos jornalistas Guilherme Bauza e Reinaldo Turolo Júnior, os problemas de Luchsinger com a Justiça não começaram com as investigações mais recentes. Antes de ganhar projeção nacional por suas conexões no meio político, ela já havia sido alvo de uma série de processos relacionados a dívidas e cobranças judiciais em São Paulo e Minas Gerais.

Nas redes sociais, Roberta aparece associada a um estilo de vida de alto padrão, com registros de viagens internacionais e frequentando restaurantes sofisticados. No entanto, de acordo com o levantamento apresentado pelo Fantástico, diversos credores recorreram à Justiça ao longo dos últimos anos para tentar receber valores que alegavam ter direito.

A reportagem afirma ainda que, em diferentes processos, houve dificuldades para localizar a empresária para intimações judiciais, além de tentativas frustradas de encontrar bens ou valores em contas bancárias que pudessem ser usados para quitar débitos.

Em dois processos, segundo o programa, Luchsinger teria alegado não possuir condições financeiras para arcar com custos judiciais.

Fazenda avaliada em R$ 8 milhões foi usada como garantia

Um dos casos relatados pelo Fantástico envolve um projeto cinematográfico apresentado em 2016 ao aposentado Lauro.

Segundo a reportagem, Roberta e uma sócia apresentaram a ele a proposta de produzir um filme sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani. O projeto teria previsão de custos de aproximadamente US$ 4 milhões, com recursos que, segundo a proposta, seriam disponibilizados por um suposto fundo do Bahrein.

Antes da chegada desse dinheiro, porém, seria necessário obter um empréstimo de US$ 300 mil — valor que, à época, correspondia a aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Lauro aceitou ser avalista da operação e ofereceu sua fazenda, localizada em Minas Gerais, como garantia. Segundo ele, teria recebido a promessa de participação nos resultados do filme e uma comissão pelo negócio.

O dinheiro que seria disponibilizado pelo fundo estrangeiro, entretanto, não teria chegado.

Com o empréstimo não quitado, o credor recorreu à Justiça e ficou com a fazenda usada como garantia. O imóvel, segundo a reportagem, era avaliado em cerca de R$ 8 milhões.

“Tudo que eu tinha estava lá. Inclusive, não é a questão da propriedade em si, é o sonho”, afirmou Lauro ao Fantástico.

Em resposta à reportagem, Roberta Luxinger afirmou que também teria sido enganada pelo investidor envolvido no projeto e sustentou que Lauro conhecia os riscos da operação.

Investigação da Polícia Federal

Anos depois do episódio envolvendo o projeto cinematográfico, Roberta Luchsinger passou a ser investigada pela Polícia Federal.

Segundo informações mencionadas pelo Fantástico, o inquérito apura suspeitas relacionadas a corrupção e tráfico de influência, além das relações da empresária com figuras do meio político e empresarial.

Entre os nomes citados no contexto das investigações estão o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Ribeiro, além de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o lobista Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Em entrevista exclusiva ao G1, publicada na sexta-feira e mencionada na reportagem, Roberta negou envolvimento em irregularidades.

Ela também declarou não ter conhecimento de eventuais desvios atribuídos ao chamado “Careca do INSS”.

Sobre uma proposta relacionada ao fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde, Luchsinger admitiu ter pedido apoio a Marco Aurélio Ribeiro, mas afirmou que uma transferência de R$ 249 mil feita a ele teria sido apenas um empréstimo, e não pagamento por influência política.

“Eu ajudei um amigo”, declarou na entrevista, segundo o material citado pelo Fantástico.

A empresária também afirmou manter uma relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva e disse que os dois chegaram a discutir possíveis projetos privados.

Informação sobre suposta origem familiar foi contestada

Outro ponto abordado pela reportagem diz respeito à imagem pública construída por Roberta Luchsinger.

Em 2017, ela passou a ser apresentada, segundo reportagens da época, como herdeira de um banqueiro suíço ligado à fundação do Credit Suisse.

O Fantástico, porém, apresentou documentos que contestariam essa versão.

De acordo com a reportagem, o registro de casamento do avô da empresária, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger indicaria que ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1927, e trabalhava como comerciante, sendo proprietário de uma lavanderia.

Roberta Luchsinger reafirmou ao programa a versão de que seu avô teria nascido na Suíça, mas informou não possuir documentos que comprovassem a afirmação.

Dívida com tapeceiro e obras atribuídas a Portinari

Outro processo destacado pela reportagem envolve o tapeceiro Nilton César.

Segundo ele, em 2011 foi contratado por Roberta Luchsinger para realizar uma série de serviços em uma residência, incluindo móveis, sofás, camas e revestimentos.

O valor total contratado teria sido de R$ 61 mil.

De acordo com o tapeceiro, apenas R$ 25 mil foram pagos como entrada, e o restante da dívida não foi quitado.

A reportagem informou que Luchsinger foi condenada em diferentes instâncias e que acordos de pagamento não teriam sido cumpridos.

Posteriormente, segundo o Fantástico, a Justiça determinou a penhora de bens da empresária.

Para quitar a obrigação, Roberta teria entregue uma coleção de 14 gravuras, apresentadas como obras originais de Cândido Portinari e avaliadas em R$ 70 mil.

O Projeto Portinari, entretanto, informou à reportagem que as peças seriam reproduções das obras do artista, e não trabalhos originais.

Escola, loja de roupas e imóvel em área nobre

A reportagem também relacionou outros processos envolvendo cobranças.

Em um dos casos, segundo o Fantástico, uma escola teria acionado a Justiça por uma dívida referente a mensalidades da filha da empresária. O valor mencionado na reportagem era de R$ 91 mil.

Em outro processo, uma loja de roupas teria cobrado uma duplicata de R$ 6.124, que, segundo atualização judicial mencionada pelo programa, ultrapassava R$ 21 mil em 2023.

Também foi relatado um processo envolvendo a locação de um apartamento em uma área nobre de São Paulo.

De acordo com o Fantástico, Roberta Luchsinger teria morado no imóvel entre 2019 e 2023 sem pagar integralmente aluguel, condomínio e IPTU.

Os proprietários eram um casal de idosos que utilizava o valor da locação como complemento da aposentadoria.

A ação de despejo foi iniciada em 2020, e a empresária teria deixado o imóvel apenas em 2023, após sucessivos acordos de pagamento que, segundo a reportagem, não foram cumpridos.

A dívida chegou a aproximadamente R$ 500 mil e teria sido quitada em maio de 2024.

Pré-campanha e processos trabalhistas

Outro episódio citado pelo Fantástico envolve a pré-campanha eleitoral de Roberta Luchsinger em 2022, quando ela foi pré-candidata a deputada federal.

Segundo a reportagem, uma agência de publicidade foi contratada por R$ 42 mil para prestar serviços relacionados à pré-campanha.

O programa informou que apenas R$ 4.200 teriam sido pagos.

A reportagem também citou processos trabalhistas movidos por uma babá e uma empregada doméstica que trabalharam para a empresária.

Os dois processos somavam aproximadamente R$ 50 mil, segundo o Fantástico. As ações teriam prescrito sem que as trabalhadoras recebessem os valores cobrados.

Empresária não quis conceder entrevista ao Fantástico

Roberta Luchsinger foi procurada pela equipe do Fantástico, mas não quis gravar entrevista.

De acordo com a reportagem, ela foi questionada sobre todos os processos mencionados e enviou uma relação com números de ações judiciais, indicando quais casos já haviam sido arquivados.

Sobre o episódio da fazenda em Minas Gerais, sustentou que também teria sido vítima de um investidor e que o avalista tinha conhecimento dos riscos envolvidos na operação.

O caso continua repercutindo nacionalmente, especialmente diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal e das conexões políticas atribuídas à empresária.

É importante destacar que as investigações ainda seguem seus procedimentos legais e que os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Eventuais responsabilidades criminais dependem da conclusão das investigações e das decisões da Justiça.

Fonte: reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, e entrevista concedida por Roberta Luxinger ao G1. Imagem: reprodução redes sociais

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