Investigação revela elo entre PCC, CV e Al-Qaeda

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões em benefício de três das maiores facções criminosas do Brasil: Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP).
A operação, batizada de Hawala, resultou na prisão de dez suspeitos e na denúncia de outras 22 pessoas por participação na organização criminosa responsável por ocultar e movimentar recursos das facções por meio de empresas de fachada e operações financeiras no Brasil e no exterior.
Entre os principais alvos está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada pelos investigadores como uma das responsáveis pela estrutura financeira do grupo. Segundo a polícia, empresas administradas por ela movimentaram dezenas de milhões de reais ao longo da investigação.
Também foram presos os irmãos Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, empresários libaneses suspeitos de integrar o esquema de circulação nacional e internacional dos recursos ilícitos. As investigações apontam que empresas instaladas em São Paulo, Minas Gerais e na região da Tríplice Fronteira — entre Brasil, Paraguai e Argentina — eram utilizadas para lavar o dinheiro das facções.
Conexão internacional sob investigação
Foi durante o aprofundamento das investigações sobre esse núcleo internacional que surgiu uma possível ligação com uma estrutura associada à Al-Qaeda.
De acordo com a Polícia Civil, empresas vinculadas aos investigados mantinham relações comerciais com um homem sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por integrar uma rede de financiamento da organização terrorista.
Até o momento, não há conclusão de que PCC, Comando Vermelho ou Terceiro Comando Puro financiem diretamente a Al-Qaeda. A apuração indica apenas a existência de conexões comerciais envolvendo pessoas investigadas e indivíduos ligados a uma estrutura financeira sancionada. A extensão dessa relação ainda será analisada com base nos documentos, computadores e demais materiais apreendidos durante a operação.
Tríplice Fronteira volta ao centro das atenções
As investigações também reforçam o papel estratégico da Tríplice Fronteira como ponto de circulação internacional de recursos ilícitos.
A região é monitorada há décadas por autoridades brasileiras e estrangeiras devido à atuação de organizações criminosas e ao uso de estruturas financeiras informais. Em 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou uma recompensa milionária por informações sobre integrantes do Hezbollah que atuariam na região.
Segundo a Polícia Civil, a atuação do núcleo instalado na fronteira ampliava a capacidade de movimentação internacional dos recursos provenientes das facções brasileiras.
A Operação Hawala representa um dos maiores golpes já desferidos contra a estrutura financeira do crime organizado no país e abre uma nova frente de investigação sobre possíveis conexões internacionais envolvendo organizações criminosas brasileiras.



