Empresário de Porto Velho denuncia advogado e suposto falso advogado por extorsão e ameaças em ações trabalhistas

Vítima relata terror psicológico, prejuízos financeiros e táticas de intimidação utilizadas pela dupla em processos trabalhistas na capital.
Um empresário da capital rondoniense, identificado pelas iniciais H. G. B., proprietário de um estabelecimento do ramo de comida japonesa, decidiu romper o silêncio e denunciar o que descreve como uma rede organizada de extorsão,exercício ilegal da profissão, coação e terror psicológico. O caso, que já está sob investigação da Polícia Civil, envolve a atuação conjunta de um advogado e um homem que se passa por advogado, mas não possui registro profissional.

A mecânica do esquema
Segundo as denúncias, o advogado Alberto Meireles Oliveira de Almeida (OAB/RO 9199), e o suposto sócio, Esequiel Bento Nogueira, que atua como advogado porém sem registro profissional, teriam montado um esquema de captação de clientes que focava especificamente em ex-funcionários de empresas locais. O modus operandi consistia em abordar colaboradores na saída de seus locais de trabalho, convencendo-os a ingressar com ações trabalhistas através de promessas de ganhos financeiros.
De acordo com relatos, a dupla utiliza o argumento de que a ação “não custaria nada” para o trabalhador. “Se ganhar, ganha muita grana; se perder, não perde nada”, era a frase recorrente usada para aliciar ex-empregados. Testemunhas que foram abordadas pelo grupo afirmam que, mesmo após terem recebido todas as verbas rescisórias de forma correta,foram pressionadas a processar a empresa. O esquema teria resultado em16 processos trabalhistas apenas contra o estabelecimento de H. G. B.
Terror psicológico e ameaças
O sofrimento da vítima não se limitou à esfera jurídica. O empresário relata que, sob a justificativa de realizar os “acordos”para encerrar os litígios, foi coagido a transferir mais de R$ 25 mil via PIXdiretamente para a conta de Esequiel Bento Nogueira, porém, mesmo após os pagamentos, os suspeitos não realizaram o serviço e as extorsões e as ameaças continuaram.
A estratégia de intimidação tornou-se cada vez mais agressiva. O empresário e sua defesa relatam que receberam fotos da fachada de sua residência tiradas durante a noite, acompanhadas de mensagens em tom de ameaça, como: “Já entramos com pedido de busca e apreensão do imóvel. Melhor resolver logo”. O nível de perseguição foi tamanho que o empresário se viu forçado a abandonarsua moradia e se mudar para um condomínio. Contudo, nem a mudançagarantiu a segurança da família, já que a dupla teria conseguido acesso às dependências do novo local para fotografar sua casa.

Em uma ocasião crítica, durante uma reunião realizada no escritório do advogado, Esequiel Bento Nogueira teria comparecido portando uma arma na cintura, em uma clara tentativa de coação e intimidação para que os acordos fossem assinados.
Impactos na saúde e omissão das autoridades
O desgaste prolongado gerou severos danos à saúde mental da vítima. H. G. B.relata ter sofrido crises de ansiedade e pânico constantes, vivendo em um estado de medo permanente pela integridade de sua esposa e filhos. “Fiquei mais de um ano sem dormir direito. Não aguentava dormir. Esses problemas me causaram pânico”, desabafou o empresário.
Diante da gravidade da situação, a defesada vítima solicitou medidas protetivas para resguardar a família. O caso foi registrado na 8ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Velho sob o Boletim de Ocorrência, e o acervo probatório que inclui comprovantes de transferências bancárias, registros de conversas em aplicativos de mensagens e fotos dos atos de intimidação está sendo analisado pelas autoridades.

Apesar de o empresário ter protocoladouma denúncia ético-disciplinar junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RO) em 9 de outubro de 2025, apresentando evidências da sociedade irregular entre o advogado e o indivíduo que atua ilegalmente na profissão, o empresário afirma que, até o momento, a instituição não adotou medidas efetivaspara interromper a atuação da dupla.
O caso segue em investigação. A expectativa da defesa de H. G. B. é que a formalização das denúncias na esfera criminal e administrativa possa colocar um ponto final nas ameaças e responsabilizar os envolvidos pelos danos causados.
*News Rondônia



