Apoiadores de Evo Morales tomam aeroporto na Bolívia para impedir prisão do ex-presidente

Manifestantes bloquearam pista do aeroporto de Chimoré e afirmam que ação busca impedir suposta operação para prender o ex-presidente boliviano
Apoiadores do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, ocuparam neste sábado (16) o aeroporto de Chimoré, localizado na região do Trópico de Cochabamba, em uma tentativa de impedir a possível prisão do líder político. Morales enfrenta processos judiciais e três ordens de detenção por acusações de estupro e trata de pessoas. (Vídeo no final da matéria)
A ação foi classificada como “pacífica” pelo dirigente cocalero Teófilo Sánchez, um dos líderes do movimento.
Segundo relatos divulgados pela imprensa boliviana, os manifestantes espalharam pedras, galhos e diversos objetos ao longo da pista do aeroporto, deixando o local temporariamente inoperante.
– As bases disseram: aqui vamos defender nosso líder indiscutível, ainda que custe vidas. Por isso se concentraram e tomaram o aeroporto de Chimoré – afirmou Sánchez ao jornal boliviano El Deber.
Os apoiadores alegam que receberam informações sobre uma suposta operação do governo boliviano para capturar Morales na região. Atualmente, o país é governado pelo presidente Rodrigo Paz.
Acusações contra Evo Morales
Evo Morales é alvo de três ordens de prisão relacionadas a investigações sobre:
• Estupro
• Trata de pessoas
As denúncias envolvem supostos fatos ocorridos em 2015 com uma adolescente, segundo informações oficiais das autoridades bolivianas.
Morales nega todas as acusações e afirma que está sendo vítima de perseguição política. O ex-presidente também cobra um “processo legítimo” e transparente.
Bloqueios causam crise humanitária
Os protestos liderados por grupos ligados a Morales já deixaram a capital La Paz parcialmente isolada há 16 dias. A situação provocou dificuldades no abastecimento e afetou diferentes regiões do país.
Entre os principais impactos relatados estão:
• Escassez de alimentos, medicamentos, carne e combustíveis
• Falta de oxigênio em hospitais
• Morte de pelo menos três mulheres por falta de atendimento médico urgente
Além de La Paz, cidades e regiões como Oruro, Santa Cruz e Cochabamba também enfrentam problemas decorrentes dos bloqueios.
Confrontos e ataques à imprensa
Durante as operações para desbloqueio de estradas, jornalistas e profissionais da imprensa relataram agressões e retenções praticadas por grupos radicais.
Autoridades bolivianas informaram ainda que forças de segurança e equipes de reportagem foram atacadas com dinamites e explosivos caseiros durante os confrontos.
Mais de 3.500 policiais e militares participaram das ações de desobstrução das vias.
Números da crise
• Dias de bloqueio em La Paz: 16
• Pessoas presas neste sábado: 57
• Policiais e militares mobilizados: mais de 3.500
• Mortes confirmadas: ao menos 3 mulheres
O porta-voz presidencial José Luis Gálvez afirmou que “o financiamento do narcotráfico está por trás destes dirigentes” e responsabilizou aliados de Morales pelos protestos.
Já Evo Morales declarou que existe um suposto plano para prendê-lo, envolvendo até mesmo a DEA, agência antidrogas dos Estados Unidos. O ex-presidente também negou qualquer participação de seu entorno no financiamento ou coordenação das manifestações.




