Em carta ao senado, Jorge Messias relata que atuará com fé, família e ética no STF

Jornalismo — OMADEIRA
O atual advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou suas origens religiosas e reafirmou compromisso com o equilíbrio institucional ao se manifestar sobre sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A análise do nome do jurista pelo Senado Federal do Brasil teve início oficialmente nesta quarta-feira (1º).
Em uma carta enviada aos senadores, Messias ressaltou que foi criado em uma família evangélica e afirmou que princípios ligados à sua fé influenciam sua visão de mundo e sua atuação pública. No documento, ele garantiu que, caso seja aprovado para integrar a Corte, pretende exercer o cargo com autonomia, imparcialidade e total respeito à Constituição, além de observar rigorosamente as normas previstas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional.
Na mensagem, o chefe da Advocacia-Geral da União também enfatizou a importância da harmonia entre as instituições. Segundo ele, a democracia depende do fortalecimento das instituições, do cumprimento das leis e do diálogo constante entre os Poderes da República.
A indicação de Messias foi formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após mais de 100 dias de expectativa. O envio do nome ao Senado é uma etapa essencial para que o indicado passe pela sabatina e, posteriormente, pela votação que pode confirmar sua nomeação ao STF.
A vaga que ele poderá ocupar surgiu com a saída de Luís Roberto Barroso da cadeira anteriormente destinada a outro ministro da Corte. Caso receba o aval dos senadores, Messias passará a integrar o quadro de magistrados responsáveis por julgar questões constitucionais no país.
Com carreira iniciada na AGU em 2007, quando ingressou como procurador da Fazenda Nacional, Messias ganhou destaque nacional ao atuar no governo da ex-presidente Dilma Rousseff como um dos principais auxiliares jurídicos da Casa Civil.
Seu nome também ficou conhecido em um episódio marcante da política brasileira. Durante as investigações da Operação Lava Jato, um áudio envolvendo Lula e Dilma foi divulgado pelo então juiz Sergio Moro. Na gravação, a pronúncia do nome de Messias acabou sendo interpretada como “Bessias”, apelido que passou a ser utilizado por críticos e adversários políticos.
Nos bastidores políticos, a indicação do advogado-geral para o STF também é interpretada como um gesto do governo em direção ao eleitorado evangélico. Mesmo sendo presbiteriano e participando de atividades em uma igreja batista, Messias não tem apoio unânime entre parlamentares ligados à chamada bancada evangélica no Senado, o que pode tornar o processo de sabatina mais sensível.
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