Invisíveis no Pátio: O retrato da infância que Porto Velho escolheu NÃO VER

Por Joéliton Menezes
PORTO VELHO, RO – Entre o calor intenso característico da capital de Rondônia e o fluxo constante de clientes em busca de refeição, uma cena no pátio de um restaurante local, flagrada pelas lentes de OMadeira, resume o colapso das redes de proteção social na cidade.
Deitado diretamente sobre o concreto áspero, encostado em uma parede desgastada, um adolescente que aparenta ter cerca de 13 anos dorme. Ele não é um cliente em espera; ele é o rosto do abandono que habita as calçadas de Porto Velho.
A imagem, que serve como um duro diagnóstico da realidade urbana, sintetiza uma tríplice omissão que atinge os jovens mais vulneráveis da região: a falência dos vínculos familiares, a ausência de políticas públicas eficazes e a indiferença de uma sociedade que se acostumou com a miséria.

O Vazio das Políticas Públicas na Capital
Apesar dos esforços isolados, a cena evidencia que as redes de assistência social não têm sido capazes de realizar a busca ativa necessária para retirar adolescentes dessa condição. No papel, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral. Na prática das ruas, o Estado é uma ausência sentida. A falta de abrigos com programas de reintegração e de um suporte psicológico que entenda as raízes do abandono escolar e familiar deixa jovens como este à própria sorte, expostos à violência e à invisibilidade.
A Sentinela de Quatro Patas
Em um contraste irônico e doloroso, o único “agente de proteção” presente no local não é vinculado a nenhum conselho ou secretaria. Um cão de rua, com pelagem castigada e marcas de quem também conhece a dureza das calçadas, permanece sentado em vigília ao lado do menino. O animal parece entender o que muitos passantes ignoram: ali reside alguém que precisa de cuidado. Enquanto a sociedade portovelhense “desvê” o adolescente para evitar o desconforto moral, o cão oferece a única rede de apoio disponível: a lealdade do instinto.
A Cegueira Seletiva no Coração da Cidade
Este descaso não é apenas em Porto Velho, bem como todo país tem sofrido com a “naturalização da miséria urbana”. O adolescente torna-se parte do cenário invisível. Para quem frequenta o restaurante, ele é apenas uma sombra incômoda; para o governo, um dado estatístico que muitas vezes nem chega a ser contabilizado; para a família, uma ausência sem nome.
Aos 13 anos, idade em que o jovem deveria estar nas salas de aula da rede municipal ou estadual, ele enfrenta a luta mais básica e cruel: sobreviver ao relento.
A pergunta que fica para as autoridades e para os cidadãos de Porto Velho não é apenas por que ele está ali, mas como permitimos que o chão frio de um estabelecimento comercial fosse o único refúgio possível para uma criança em pleno desenvolvimento.
E no final cabe a reflexão: DIREITA OU ESQUERDA? Sugiro o AMOR AO PRÓXIMO!





