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VEJA o que acontecerá com instituições que tiveram ensino de medicina considerados insuficientes pelo MEC

Ao todo, 204 cursos de medicina do Sistema Federal de Ensino obtiveram conceito Enade satisfatório. Outros 99 ficaram com conceito 1 e 2 e passarão por medidas de supervisão do MEC

Mais de um terço dos cursos de medicina avaliados no Brasil apresentou desempenho considerado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025.

De acordo com levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS), 32% das graduações analisadas não atingiram o nível mínimo de qualidade exigido, o que acendeu um alerta sobre a formação médica no país.

VEJA O RESULTADO DO Enamed em Rondônia (CLIQUE AQUI)


Dos 304 cursos de medicina pertencentes ao sistema federal de ensino que participaram da avaliação, 99 obtiveram conceitos 1 ou 2 no Enade, faixas que indicam que menos de 60% dos estudantes apresentaram desempenho adequado no exame. Essas instituições passarão por ações de supervisão e medidas cautelares, que podem incluir desde a redução de vagas até a suspensão de novos ingressos.


Segundo o MEC, 67,1% dos cursos alcançaram conceitos considerados satisfatórios (3 a 5), mas o número de graduações com baixo desempenho preocupa, especialmente nas redes municipal e privada. O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que 85% dos cursos municipais de medicina foram considerados insatisfatórios, revelando fragilidades estruturais e pedagógicas.


“O exame mostra claramente onde a formação médica está falhando. Estamos falando de profissionais que lidam diretamente com a vida das pessoas. Não é aceitável que cursos funcionem sem infraestrutura adequada, professores qualificados e formação consistente”, afirmou o ministro.


Medidas contra cursos mal avaliados
As instituições que tiveram desempenho mais baixo no Enamed serão submetidas a um processo de supervisão conduzido pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). As medidas variam conforme o grau de deficiência identificado:


Oito cursos, com menos de 30% de estudantes proficientes, terão suspensão imediata de novos ingressos;


13 cursos, com proficiência entre 30% e 40%, sofrerão redução de 50% das vagas;


33 cursos, com proficiência entre 40% e 50%, terão redução de 25% da oferta;


Esses três grupos também ficam impedidos de ampliar vagas e terão a participação suspensa no Fies e em outros programas federais.


Outros 45 cursos, apesar de estarem na faixa 2, apresentaram desempenho superior a 50% e, por ora, sofrerão apenas a proibição de ampliar vagas.


O MEC ressaltou que as ações não têm caráter punitivo contra estudantes. “Nenhum aluno será prejudicado. O objetivo não é penalizar, mas garantir que o Brasil forme médicos com qualidade”, reforçou Santana.


Ensino privado concentra maioria dos cursos


Os dados também evidenciam que mais de 80% dos cursos de medicina no Brasil são ofertados por instituições privadas, muitas delas com desempenho abaixo do esperado. Entre as faculdades privadas com fins lucrativos, apenas 57,2% dos estudantes atingiram proficiência, percentual inferior ao registrado em instituições públicas federais e estaduais, que ultrapassaram 83%.


Para o MEC, o resultado reforça a necessidade de maior rigor na fiscalização e no acompanhamento da qualidade do ensino médico, especialmente em cursos que cobram altas mensalidades.


Avaliação contínua


O Enamed passou a ser realizado anualmente a partir de 2025 e também serve como critério para seleção em programas de residência médica. Segundo o governo federal, a avaliação contínua permitirá monitorar a qualidade dos cursos ao longo do tempo e adotar medidas preventivas para evitar a formação de profissionais sem a preparação adequada.


Os processos de supervisão seguirão em vigor até a divulgação do Conceito Enade 2026, período em que as instituições poderão apresentar planos de correção das falhas identificadas.

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