Irã acuado expõe o fracasso das ditaduras que temem o povo

Por Joéliton Menezes
O regime iraniano expõe, mais uma vez, o desespero típico das ditaduras em fase de desgaste. Ao desligar a internet e tentar silenciar a população, o governo teocrático do Irã demonstra que já não governa pela legitimidade, mas pelo medo. É o mesmo manual autoritário adotado por seus aliados ideológicos ao redor do mundo, entre eles o projeto chavista que levou a Venezuela ao colapso institucional.
Protestos no Irã já deixaram 65 mortos e mais de 2 mil presos, diz agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos.
Quando um Estado precisa censurar, prender e matar para se manter de pé, ele já caiu moralmente. No Irã, multidões tomaram as ruas porque perderam o temor de um regime que há décadas oprime, tortura e elimina seus próprios cidadãos. A resposta do poder foi a mais covarde possível: balas, prisões em massa e perseguição até mesmo a feridos em hospitais.
Esse comportamento não é exceção, é método. Trata-se de um governo que sustenta líderes fracassados e ditadores ideologicamente alinhados, como o regime de Nicolás Maduro, cuja queda política e perda de apoio popular simbolizam o fim de um ciclo de autoritarismo na América Latina. Ditaduras se reconhecem — e se apoiam — porque compartilham o mesmo pavor da liberdade.
No Irã, jovens, mulheres e agora também adultos mais velhos desafiam um sistema que controla corpos, roupas, ideias e vidas. A morte de manifestantes, inclusive crianças, revela o nível de brutalidade de um Estado que não aceita críticas e trata o próprio povo como inimigo interno.
A história mostra que regimes baseados na repressão não são eternos. Podem resistir por anos, mas acabam ruindo sob o peso da própria violência. O Irã hoje é o retrato de um poder acuado, isolado e sustentado apenas pela força — exatamente como foram outros governos ditatoriais que, mais cedo ou mais tarde, acabaram derrotados pela coragem popular.
Imagem: Handout




