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Síndrome de Pica: entenda o transtorno e como amenizar os efeitos

Síndrome também tem o nome técnico de alotriofagia e pode estar associada com deficiência nutricional, com questões psiquiátricas ou com a gestação.

A síndrome de Pica tem esse nome devido à palavra em latim para pega (Pica pica), um pássaro conhecido por ter um apetite indiscriminado e por juntar e comer uma variedade de objetos, tanto comestíveis quanto não comestíveis.

A associação entre o comportamento da ave e o transtorno alimentar humano, que envolve a ingestão persistente de substâncias não nutritivas (como terra, giz, cabelo ou papel), remonta à crença de que a pega ingere quase tudo por curiosidade ou devido a um apetite aleatório. 

O termo médico foi usado pela primeira vez por Ambrose Paré no século XVI, embora referências a esse tipo de comportamento possam ser encontradas em textos antigos, incluindo os de Hipócrates. 

A alotriofagia é uma síndrome caracterizada pela vontade incontrolável de comer coisas que não são comestíveis (e tampouco usuais). O transtorno, mais conhecido como síndrome de pica, faz com que pacientes desejem as mais diferentes coisas, como tijolo, papel, cinza de cigarro, algodão, barro, fezes, unha, cola, prego, entre outros.

Para entender a alotriofagia, o g1 conversou com Adriana Bacelo, nutricionista e pesquisadora de longevidade saudável no laboratório de saúde digital da Fiocruz Ceará, e com o médico psiquiatra Saulo Ciasca, coordenador da pós-graduação em psiquiatria da Sanar.

Alotriofagia ou síndrome de pica

A alotriofagia é mais conhecida como síndrome de pica e, como explica Adriana Bacelo, o transtorno leva esse nome por fazer referência ao pássaro pega-rabuda (também chamado de pica pica), que “se alimenta sem muita distinção” e come tudo que vê pela frente.

Saulo Ciasca comenta que a doença se caracteriza por “uma vontade muito irresistível, muito forte, de comer coisas que não são comestíveis, e que ela [pessoa] sabe que não deveria comer“. Entre os relatos que o médico tratou em consultório, estão desejos por lata, tinta de parede, madeira, prego, cola, cabelo, unha, sabão, fezes, gelo e casca de ovo.

Tanto Adriana quanto Ciasca ressaltam que o fato de a pessoa provar algo incomum ou comer pontualmente não configura que ela sofra de alotriofagia. O diagnóstico só pode ser considerado se houver “um desejo compulsivo de objetos” e que aconteça por mais de 30 dias.

Além disso, Ciasca afirma que o paciente sente desejo por algo específico, “não é que ele vai querer comer tudo, ele sente vontade de uma coisa, mesmo sabendo que não deve comer aquilo”.

Quais são as causas?

“Os primeiros relatos na literatura indicam um caso referente a uma gestante que ingeria terra”, diz a nutricionista. Ela afirma que, além de casos recorrentes em grávidas, a síndrome de pica também está muito associada à falta de ferro e de zinco.

“Às vezes, mesmo quando o exame de sangue não aponta anemia ou falta de ferro e zinco, a mudança no hábito alimentar já melhora o sintoma”, comenta Adriana.

Ciasca e Adriana listam as principais causas da alotriofagia:

  • Deficiência nutricional: em geral, o mais comum é em pessoas com anemia ou deficiência de ferro.
  • Psiquiátrica: pessoas com esquizofrenia, transtorno obsessivo compulsivo ou até depressão.
  • Gestação: não é uma condição patológica, mas é comum que grávidas tenham vontades por coisas não comestíveis (a deficiência nutricional pode ser um sintoma secundário, inclusive).
Grávida 'come' esponja com sabão e vídeo feito pelo noivo viraliza — Foto: Reprodução/Instagram

Grávida ‘come’ esponja com sabão .

Tratamento

Os especialistas esclarecem que a indicação é que seja feito um tratamento multidisciplinar, que reúna os atendimentos de um clínico geral, pediatra ou geriatra com um psicólogo, um nutricionista e um psiquiatra (se o caso for de doença mental).

“Não adianta eu fazer um ajuste na dieta e, eventualmente, até uma suplementação, porque precisa de apoio psicológico para pessoa entender o impacto, principalmente de casos de traumas, depressão”, avalia a nutricionista.

O psiquiatra esclarece ainda que o primeiro passo é “investigar causas orgânicas” e seguir para “um olhar em relação à saúde mental”.

Ciasca faz ainda um alerta para que familiares e pessoas próximas ao paciente tentem “manter essas pessoas longe dos produtos tóxicos para evitar intoxicações” porque, dependendo do produto, pode ser muito tóxico e, em alguns casos, haver complicações até mesmo cirúrgicas.

A britânica Kerry Trebilcock diz ter compulsão por comer esponjas de lavar louça. Ela diz ter devorado cerca de 4 mil esponjas por conta do vício — Foto: Reprodução

A britânica Kerry Trebilcock diz ter compulsão por comer esponjas de lavar louça. Ela diz ter devorado cerca de 4 mil esponjas por conta do vício — Foto: Reprodução

 Com informações de G1

 Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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