Medicamento antigo para pressão alta mostra potencial contra câncer cerebral agressivo

Um medicamento comumente usado para tratar a hipertensão também pode auxiliar no combate a tumores cerebrais agressivos. Pesquisadores identificaram como o medicamento hidralazina atua no nível molecular no organismo. A hidralazina é amplamente utilizada no tratamento de pressão alta e pré-eclâmpsia.
Compreender seu mecanismo revelou o potencial que possui para deter o crescimento de glioblastoma — um tumor cerebral agressivo. O medicamento para pressão arterial hidralazina existe há mais de 70 anos, mas os cientistas anteriormente não sabiam como ele funcionava. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia recentemente descobriram o mecanismo da hidralazina e também descobriram que o medicamento tem o potencial de interromper o crescimento do glioblastoma, um tumor cerebral agressivo.
Essas descobertas não apenas esclarecem como a hidralazina funciona, mas também abrem portas para novas terapias para pré-eclâmpsia e câncer cerebral. O estudo foi publicado na Science Advances.
A hidralazina é um medicamento antigo utilizado para reduzir a pressão arterial elevada. Ela é um vasodilatador, ou seja, atua alargando os vasos sanguíneos e melhorando o fluxo sanguíneo. É amplamente utilizada no manejo da pré-eclâmpsia, que é uma condição de pressão alta relacionada à gravidez. Se a pré-eclâmpsia não for tratada, pode causar danos aos órgãos e colocar em risco as vidas do pai grávido e do bebê.
Compreender o mecanismo de ação de um medicamento pode fornecer insights sobre por que certos efeitos colaterais ocorrem, ajudar a identificar quais pacientes têm mais chances de se beneficiar com base na genética e revelar novos usos potenciais para o medicamento. Para descobrir como a hidralazina funciona, os pesquisadores criaram uma versão especial da droga, chamada HYZyne. Esta sonda agia como a hidralazina e tinha uma ‘etiqueta’ que permitia que os cientistas vissem a quais proteínas ela se ligava dentro das células.
Depois que os pesquisadores trataram as células com HYZyne, ele marcou apenas algumas proteínas, destacando-se uma enzima chamada 2-aminoetanotioisoxigenase (ADO). A ADO detecta oxigênio e ajuda a controlar a pressão arterial regulando proteínas que relaxam os vasos sanguíneos. Quando a ADO é bloqueada, os vasos sanguíneos permanecem relaxados e a pressão arterial diminui.
Os pesquisadores descobriram que a hidralazina atua desligando a ADO, o que contribui para o relaxamento das paredes dos vasos sanguíneos e redução da pressão arterial.
Segundo os pesquisadores, o glioblastoma muitas vezes depende de alta atividade de ADO para sobreviver e crescer. Quando a equipe tratou essas células cancerosas com hidralazina, as células entraram em um processo chamado ‘senescência’. Embora isso não cause a morte das células cancerosas, desacelera seu crescimento de forma dramática. Os cientistas observaram que uma dose de hidralazina manteve as células nesse estado suspenso por vários dias.
O Dr. Walavan Sivakumar, neurocirurgião certificado, falou sobre as descobertas, afirmando: ‘Esta é uma ciência muito elegante. Os autores finalmente esclareceram como a hidralazina funciona no nível molecular e, ao fazerem isso, descobriram uma vulnerabilidade completamente nova em tumores cerebrais agressivos.’ Ele destacou que a hidralazina é atraente por ser um dos medicamentos para pressão arterial mais antigos, com décadas de dados de segurança e disponibilidade global, sugerindo que poderia ser uma opção de baixo custo para o tratamento do câncer cerebral.
Fonte/Créditos: Gazeta Brasil
Créditos (Imagem de capa): (Pixabay)




