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População em situação de rua dispara 142% e atinge 350 mil pessoas, em 2025

O número de brasileiros vivendo em situação de rua chegou a um nível alarmante. Segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o país contabiliza cerca de 350 mil pessoas nessa condição, um aumento de 142% em cinco anos.

Os dados têm como base o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do governo federal. Em 2019, eram aproximadamente 145 mil pessoas vivendo nas ruas. Já em dezembro de 2024, o número atingiu 327.925, representando uma alta de 25% apenas no último ano, conforme informações da Agência Brasil.

Grandes cidades concentram a maioria da população de rua

O levantamento indica que a maioria das pessoas nessa condição é composta por homens adultos, com baixa escolaridade e renda muito reduzida. A região Sudeste concentra a maior parte dos registros, seguida pelo Sul, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre — cidades que vêm enfrentando forte pressão sobre os serviços de assistência social.

Em São Paulo, por exemplo, o número de pessoas vivendo nas ruas já ultrapassa o total de moradores de algumas cidades médias do interior. Pesquisadores apontam que o fenômeno vem se agravando com o encarecimento do custo de vida, o desemprego persistente e a falta de políticas habitacionais estruturadas.

Pobreza, desemprego e custo de vida alimentam a crise

De acordo com especialistas, o avanço expressivo dessa população resulta de uma combinação de fatores: o aumento da pobreza, o desemprego, a inflação e o déficit habitacional. Além disso, a expansão dos programas de busca ativa e a melhoria na coleta de dados também contribuíram para tornar o cenário mais visível.

Apesar disso, o número real pode ser ainda maior, já que muitas pessoas não estão cadastradas em programas sociais. O próprio governo federal reconhece que o crescimento dos registros reflete tanto melhor monitoramento quanto o agravamento das condições socioeconômicas do país nos últimos anos.

Especialistas cobram políticas públicas de longo prazo

Pesquisadores e organizações sociais alertam que medidas emergenciais, como abrigos temporários e distribuição de alimentos, não são suficientes para reverter o quadro. Eles defendem ações estruturantes, com foco em moradia dignainserção no mercado de trabalhoacesso à saúde e apoio psicológico.

O crescimento dessa população é um retrato direto das desigualdades no país e da ausência de políticas consistentes de prevenção à perda de moradia”, afirmou um pesquisador do OBPopRua, em entrevista ao estudo.

A análise reforça a urgência de um plano nacional integrado que vá além da assistência emergencial e busque romper o ciclo da exclusão social, que empurra milhares de brasileiros para as ruas a cada ano.

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