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Careca do INSS recebeu R$ 1 milhão em Pix de ex-gerente do BMG

Viana fundou entidade, que tinha autorização para descontar em folha, após sair do BMG, que seria envolvido com o Careca do INSS desde 2005

O ex-gerente do banco BMG Anderson Ladeira Viana (à esquerda, na foto principal) pagou R$ 1 milhão em Pix para a Brasília Consultoria Empresarial S/A, uma das empresas do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes (à direita), o Careca do INSS, pivô do escândalo de fraude em aposentadorias e pensões. Essa movimentação, considerada suspeita, consta em Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Como o Metrópoles revelou nessa sexta-feira (3/10), Anderson Ladeira Viana abriu a Associação de Assistência Social a Pensionistas e Aposentados (AASPA) após sair do BMG em 2022. Também usou uma das próprias empresas, chamada de Dataqualify, para validar assinaturas e biometrias com o objetivo de filiar beneficiários.

A entidade conseguiu firmar um acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio do ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão André Fidelis, no início de 2024. O contrato que permite o desconto de mensalidades associativas, no entanto, só saiu depois que o ex-gerente do BMG pagou o lobista.

“Chama atenção [a] movimentação expressiva em conta gerando uma incompatibilidade entre seu faturamento e valores movimentados, levantando suspeita que a empresa realize atividades para demais segmentos não declarados”, destacou o Coaf em documento obtido pela coluna.

Fundada em outubro de 2022, a Brasília Consultoria Empresarial S/A – sob o nome fantasia de BSB Business Consulting S/A – informou que fatura R$ 1,6 milhão por ano, ou seja, apenas R$ 600 mil a mais que as transferências realizadas por Viana na forma de Pix.

Essa e outras transações que envolveram a empresa de junho de 2023 a abril de 2024 levaram o Coaf a alertar para uma “movimentação de valores incompatíveis com o faturamento mensal das pessoas jurídicas”. Mais de R$ 46,5 milhões passaram pela conta da empresa do Careca do INSS ao longo desses 10 meses.

O lobista, investigado e preso pela Polícia Federal (PF), prestou depoimento à CPMI do INSS em 25 de setembro, ocasião em que negou participação na fraude bilionária:

“Sempre acreditei que a verdade, sustentada em fatos e documentos, seria o suficiente para afastar a mentira, a inveja e a calúnia que vem sendo disseminadas desde o início dessa investigação”, afirmou o Careca do INSS, apontado como o principal operador financeiro do esquema.

À coluna, o BMG negou ter ”qualquer relação com eventuais negócios de ex-funcionários”. Procurado, Viana visualizou as mensagens enviadas pela reportagem, mas não respondeu. Já o advogado do Careca do INSS, Cleber Lopes, e a AASPA não se pronunciaram.

O negócio do Careca do INSS com Viana está longe de ser o único a levar suspeitas do Coaf. Como a coluna revelou, a World Cannabis (WorldCann), pertencente ao lobista, pagou R$ 500 mil ao escritório de advocacia do primeiro suplente da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e presidente do União Brasil no Distrito Federal, Manoel Arruda.

De acordo com o advogado, o Careca do INSS o contratou em novembro de 2024 para prestar consultoria e assessoria jurídica para firmar parceria com a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego). O objetivo, segundo o político, era transferir tecnologia para a produção de medicamentos e produtos dentro do Programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Ministério da Saúde.

O escritório, no entanto, desfez o negócio em 8 de maio, cerca de duas semanas após a PF deflagrar a Operação Sem Desconto, que tem o Careca do INSS como um dos alvos. Um comprovante bancário ao qual a coluna teve acesso mostra que a banca devolveu R$ 500 mil à empresa do lobista no dia 19 de maio, mesmo que, segundo a assessoria de imprensa, o advogado tenha realizado o trabalho por 6 meses.

O que diz o BMG sobre ex-gerente ligado à Farra do INSS

Leia a íntegra da nota do BMG:

“O Banco BMG não tem qualquer relação com eventuais negócios de ex-funcionários que já deixaram a instituição, não tomou parte no negócio em questão e, no mais, informa que adota elevados padrões de governança corporativa, observando rigorosamente as normas legais e regulatórias aplicáveis ao setor financeiro.

Nossa estrutura é sustentada por instâncias de governança que asseguram a segurança, a transparência, a integridade e a conformidade de nossas atividades.”

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