O SENADO VAI ENFIM TOMAR O LADO DO BRASIL OU VAI DEIXAR NOSSO PAÍS TOTALMENTE À DERIVA

Por Sérgio Pires — Opinião de Primeira
Qual a legitimidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e vários outros réus, num caso em que o principal magistrado é acusado de uma série de ilegalidades, praticadas por ele e sua equipe, a mando dele? Qualquer tribunal sério do mundo suspenderia seus trabalhos, até que houvesse amplo esclarecimento sobre todas as denúncias feitas, em longo depoimento ao Senado brasileiro e parte da mídia nacional, pelo ex-braço direito do ministro Alexandre de Moraes, o também autoexilado Eduardo Tagliaferro. O perito, que era assessor de Moraes no STF, afirmou, entre outras coisas, que uma das ações da PF, por ordem do ministro, se baseou apenas em uma reportagem de jornal, sem qualquer indício concreto que merecesse todo o aparato policial utilizado.
A gravidade é ainda maior quando o ex-assessor afirmou que quem vazou as informações para um veículo de imprensa, com mensagens privadas entre empresários bolsonaristas, teria sido o próprio Alexandre de Moraes, preparando assim uma armadilha, para, usando a reportagem em que o próprio Moraes era informante, determinar a operação de busca e apreensão da PF contra os empresários. Esta foi apenas uma das denúncias apresentadas por Tagliaferro, que está vivendo na Itália e de onde o ministro Moraes já pediu sua extradição.
Também ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tagliaferro ainda denunciou que seu departamento atuou para silenciar mais de três mil perfis de brasileiros, todos bolsonaristas, nas redes sociais, durante o período das eleições de 2022. As demandas (determinações), vinham do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF e que à época presidia o TSE.
A sucessão de denúncias de uma pessoa até agora muito próxima ao mais poderoso magistrado da história recente do Brasil, se comprovadas, deixa um rastro de irregularidades que podem macular todas as decisões vindas dele, nos tribunais superiores. Tagliaferro está vivendo fora do Brasil, com sua família que ficou aqui correndo muitos riscos, inclusive com ameaças, segundo afirmou, mas mesmo assim decidiu fazer as denúncias, que, segundo ele, são apenas uma pequena parte do que ele teria como provar. Disse que aceita fazer uma delação premiada e até gostaria de ser acareado com o próprio Alexandre de Moraes, o que, obviamente, jamais vai acontecer.
Por fim, claro que é preciso questionar: como alguém, mesmo uma das maiores e mais poderosas autoridades de um país democrático que precisa explicar seus atos e responder a tantas denúncias, pode ainda fazer um julgamento de réus, que são reconhecidamente seus adversários pessoais, senão inimigos? Todas as respostas a isso agora estão nas mãos dos senadores. Ou eles agem e ajudam a colocar o Brasil novamente nos trilhos ou se calam e nos deixam à deriva. Não há outro caminho!




