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Colunista do Wall Street Journal denuncia fraude em sistema da Alfândega dos EUA usada contra ex-assessor de Bolsonaro

Documento de entrada forjado nos EUA contra Filipe Martins reaparece no sistema do CBP e pode agravar pressão sobre Alexandre de Moraes

Algo está podre no Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos Estados Unidos. A afirmação abre o artigo da renomada colunista Mary Anastasia O’Grady, publicado neste domingo (27) no Wall Street Journal, um dos principais jornais americanos. A jornalista denuncia que documentos falsos de entrada nos EUA atribuídos a Filipe Martins, ex-assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram inseridos e reapareceram no sistema oficial do CBP, levantando suspeitas de interferência estrangeira por interesses políticos.

Segundo O’Grady, o registro fraudulento serviu de base para a prisão de Martins por seis meses, além da atual detenção domiciliar imposta por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso, agora repercutindo internacionalmente, pode aprofundar o cerco a Moraes nos EUA, especialmente em meio às discussões sobre violações de direitos e possíveis sanções sob a Lei Magnitsky.

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“Não há nenhuma motivação americana óbvia para inventar uma viagem de Martins que não aconteceu. Mas alguém trabalhando dentro da CBP em nome de interesses políticos brasileiros opostos a Bolsonaro teria essa motivação”, escreveu a colunista

Martins nega que tenha estado nos EUA na data do suposto desembarque, 30 de dezembro de 2022, e apresenta provas como registros de celular, faturas de cartão de crédito e documentos de voo em território brasileiro para sustentar sua versão. Ainda assim, o I-94 — documento eletrônico que registra entradas de estrangeiros nos Estados Unidos — apareceu no sistema do CBP em março de 2024 com dados falsos, incluindo o nome grafado como “Felipe” e um passaporte extraviado desde 2021.

O documento foi removido após intervenção do Departamento de Segurança Interna (DHS) e questionamentos da defesa, mas voltou a aparecer neste mês de julho, com os mesmos erros.

Apesar da exclusão anterior, o ministro Alexandre de Moraes manteve a prisão de Martins com base nesse registro, alegando suposta entrada ilegal nos EUA, que continuava visível na seção informal de “histórico de viagens” do site do CBP — uma área sem valor jurídico.

Encobrimento maior que o crime?

No artigo, O’Grady questiona a integridade do processo e critica a falta de transparência do governo americano, que, até agora, se recusa a revelar quem inseriu o documento forjado e quando. “Por razões de segurança nacional dos EUA, o Departamento de Segurança Interna deveria querer saber também”, afirma a colunista. “O que é pior: o crime ou o encobrimento?”, provoca.

A defesa de Martins processa o CBP e o DHS nos Estados Unidos para obter os registros completos do sistema. Entretanto, os logs entregues vieram com trechos censurados, sob a justificativa de sigilo em razão de “litígio pendente”, o que aumentou ainda mais a desconfiança.

Mary O’Grady também critica a condução das investigações por parte do STF, apontando que, diante da falta de provas de um suposto plano de golpe de Bolsonaro, Moraes tem recorrido a delações premiadas para sustentar as acusações. Ela cita que o próprio Mauro Cid, principal delator, afirmou em áudio vazado que foi coagido a incriminar o ex-presidente. Filipe Martins, por sua vez, declarou à Justiça na última semana que foi mantido preso sob condições desumanas para forçá-lo a fazer o mesmo.

Enquanto isso, o sistema do CBP continua mostrando um registro que, segundo evidências, jamais deveria ter existido.

Crédito: WSJ denuncia crime ou encobrimento de crime contra Filipe Martins (Foto: EFE/Andre Borges)

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