Em vídeo: médico e sanitarista Macário Barros fala sobre audiência equivocada que determina fechamento de comércio

Macário Barros é médico especialista em dermatologia e também sanitarista, ex-secretário de saúde e ex-vereador de Porto Velho. O médico concedeu uma entrevista ao portal Omadeira.com.br e esclareceu sobre a importância do tratamento de pacientes com coronavírus no início da doença. Aponta falhas no que deveria, na avaliação dele, ter sido feito desde o surgimento dos primeiros casos e como deveriam estar agindo as autoridades sanitárias envolvidas no enfrentamento da covid-19.
Para Macário deveria ter feito convocação para a contratação de uma quantidade necessária de agentes de saúde, além de treinamento para esses profissionais na aferição de temperatura, pressão e outros cuidados. “Esses agentes seriam distribuídos em todo centro e periferia da Capital. O agente de saúde iria fazer a visita e detectar através dos sintomas a doença no início. Isso faz parte da atenção básica de saúde”.
Macário afirma que existe uma preocupação muito grande por partes dos gestores em leitos de UTI, e não impedindo, através da atenção básica de saúde, que compete ao Município, a população de ter que usar UTI. Falou também da falta de medicamentos adequados nas unidades de saúde. “No primeiros sintomas nós temos a invermectina, nós temos a cloroquina e temos azitromicina. Eu tenho certeza absoluta que iria diminuir o número de óbitos a menos de 5%, hoje não temos percentual de cura de pacientes que vem da UTI não se tem esse estudo, não se fala nesse percentual, tenho certeza que é negativo, Relatou.
O médico também questionou a quantidade excessiva de protocolos para começar a usar os medicamentos já que na região Norte são bastante utilizados há décadas. “Eu não sei o porquê de não termos essa medicação e também tanto protocolo pra dispensar esse medicamento, vai se esperar um dia, dois, três, quatro para os sintomas se agravarem? Há casos hoje de pessoas que me procuraram que estão com a receita, porque estão prescrevendo certo, mas o cidadão que não está trabalhando ou desempregado onde vai achar ou comprar esses medicamentos”, indagou.
Macário falou também da politização que está sendo feita nesta pandemia pelos políticos. “Nós perdemos centenas de vidas porque estão esperando protocolos no uso da cloroquina e invermectina, enquanto a população que tem mais condições financeiras todos já estavam usando, na Europa todo mundo usando e aqui se esperando protocolos. Essa pandemia aqui no Brasil foi politizada, então tornou muito difícil o tratamento para o paciente não chegar até o hospital, tornou-se mais fácil correr atrás de respiradores e leitos do que o básico que é o medicamento nos postos de saúde”.
O médico sanitarista fez algumas observações com relação a postura do Estado e Município em convocar uma audiência pública para decidir os rumos da saúde não convocando autoridades sanitárias, mas sim, gestores públicos. “Não existe isso, teria que convocar profissionais competentes, nós temos aqui o cemetron como referência, temos em Manaus o Hospital Tropical. Fizeram uma convocação equivocada, exemplificando; se nós temos um prédio se rachando, eu não vou convocar gestores públicos, mas sim uma equipe de engenheiros, portanto se nós temos essa situação em nossa cidade nós temos que convocar as autoridades de saúde”.
Finalizou criticando a postura dos gestores com relação aos decretos sem um plano claro de ação para depois da reabertura do comércio. “O que está sendo feito nesse período que está fechado? Nada, vai abrir novamente o comércio. Convocaram uma audiência pública onde não se vê autoridade sanitária com experiência comprovada, audiência equivocada em fechar por 14 dias porque não explica o que está se fazendo durante esse período e o que se vai fazer depois desse período para contornar a situação”, completa.



