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Bactéria “super-resistente” avança fora dos hospitais e acende alerta — ENTENDA

Uma bactéria bastante conhecida no ambiente hospitalar tem começado a preocupar também fora das unidades de saúde. Um estudo conduzido durante dez anos no estado de São Paulo revelou que a Staphylococcus aureus, microrganismo que pode desenvolver resistência a antibióticos, está cada vez mais presente em infecções adquiridas na comunidade.


De acordo com os pesquisadores, o principal problema está na capacidade que essa bactéria possui de resistir a medicamentos tradicionalmente utilizados no tratamento de infecções bacterianas, como a oxacilina e a meticilina. Quando apresenta essa resistência, ela passa a ser classificada como MRSA, sigla para Staphylococcus aureus resistente à meticilina, considerada uma forma mais perigosa e potencialmente fatal.


Na maioria das vezes, a bactéria provoca infecções na pele. Porém, em situações mais graves, ela pode alcançar a corrente sanguínea, causando complicações sérias como infecções no sangue, problemas cardíacos e até pneumonia com destruição de partes do tecido pulmonar.
Durante a pesquisa, foram avaliados mais de 51 mil exames laboratoriais.

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Os resultados indicaram que as infecções por MRSA adquiridas fora de hospitais cresceram, em média, 3,61% por ano. Em contrapartida, os casos registrados dentro de hospitais apresentaram redução anual de cerca de 2,48%.


Outro dado que chamou a atenção foi que 43% das infecções causadas pela bactéria já eram da variante resistente, com maior ocorrência entre grupos considerados mais vulneráveis, como crianças e idosos.
Os cientistas também identificaram que, entre os exames positivos realizados fora de hospitais, 22% já indicavam resistência aos antibióticos. Em relação à distribuição geográfica, os focos mais relevantes de casos foram observados na região central da capital paulista e em cidades do litoral.


O levantamento foi realizado pela Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) em parceria com a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O trabalho analisou dados de 639 unidades de saúde, incluindo hospitais, laboratórios, serviços de emergência e unidades de atenção básica, e foi publicado na revista científica Research Connections, da Oxford University Press.


Para os autores, enfrentar o avanço da bactéria exige melhorias no sistema de vigilância epidemiológica. Entre as medidas sugeridas estão a integração de dados entre laboratórios, fortalecimento da atenção primária, criação de redes de monitoramento sentinela e campanhas de conscientização sobre o uso responsável de antibióticos e o descarte adequado de medicamentos.

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