DENÚNCIA: Pacientes do Amazonas chegam sem regulação e sobrecarregam hospitais de Porto Velho

Um caso recente envolvendo uma paciente com deficiência intelectual escancara um problema recorrente enfrentado pela rede de saúde de Porto Velho: a chegada de pacientes de outros estados sem qualquer aviso prévio ou regulação hospitalar, contribuindo diretamente para a superlotação das unidades.
A paciente, moradora do município de Apuí (AM), teria sofrido uma queda há cerca de sete dias, evoluindo para uma fratura de fêmur, conforme informações do encaminhamento. Segundo relato da acompanhante, não há médico ortopedista disponível no município amazonense, e a orientação recebida da Secretaria de Saúde local foi para que o deslocamento fosse feito diretamente para o Hospital João Paulo II, em Porto Velho (RO).
A viagem começou por volta das 4h30 da manhã, com chegada à capital rondoniense apenas às 14h45, após aproximadamente 10 horas de deslocamento, enfrentando cerca de 400 quilômetros de estrada de chão. A paciente veio acompanhada apenas por uma cuidadora e um motorista, já que a mãe é idosa e não teve condições de viajar.

De acordo com informações, a ordem para trazer a paciente partiu diretamente do secretário de saúde do município de Apuí. O problema, segundo profissionais da saúde, é que nenhuma comunicação prévia foi feita à regulação hospitalar de Porto Velho, o que impossibilita o planejamento adequado do atendimento.
Profissionais denunciam que situações como essa têm se tornado frequentes. Pacientes de outros estados chegam “de surpresa”, sem encaminhamento formal, ocupando vagas e pressionando ainda mais um sistema de saúde que já opera no limite.
A prática gera indignação entre servidores e gestores locais, que alertam: Porto Velho não pode absorver demandas de outros estados sem pactuação, regulação e responsabilidade compartilhada. A falta de organização e de comunicação entre os entes públicos coloca em risco não apenas os pacientes que viajam longas distâncias em condições precárias, mas também a população local, que sofre com filas, atrasos e falta de leitos.
O caso reacende o debate sobre a necessidade urgente de respeito aos protocolos do SUS, responsabilidade administrativa entre estados e municípios e ações efetivas para evitar que a capital rondoniense continue arcando sozinha com um problema que ultrapassa suas fronteiras.



