Estudo reacende debate sobre uso de paracetamol na gestação e risco de autismo e TDAH

Por Jornalismo — Omadeira
Um dos medicamentos mais utilizados para dor e febre durante a gravidez, o paracetamol voltou a ser alvo de debate na comunidade científica após novas pesquisas avaliarem uma possível relação entre seu uso e o aumento de casos de transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças.
Estudos observacionais realizados nos últimos anos encontraram associações entre a exposição ao paracetamol durante a gestação e maior risco de diagnóstico de TEA e TDAH. Em alguns deles, pesquisadores analisaram amostras do cordão umbilical e detectaram maior incidência dos transtornos em crianças com níveis mais altos do medicamento. No entanto, especialistas ressaltam que tais trabalhos não conseguem provar uma relação de causa e efeito, já que fatores como condições de saúde da mãe, uso do remédio para tratar febre ou inflamações e até questões genéticas podem influenciar os resultados.
Em contrapartida, uma pesquisa publicada em 2024 no JAMA, uma das mais respeitadas revistas médicas do mundo, acompanhou milhares de crianças e comparou irmãos expostos e não expostos ao paracetamol durante a gestação. Os cientistas não encontraram aumento significativo no risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual, sugerindo que associações anteriores poderiam estar relacionadas a fatores familiares ou ambientais, e não diretamente ao medicamento.
Apesar das divergências, órgãos de saúde, como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), mantêm a orientação de que o paracetamol continua sendo a opção mais segura para tratar febre e dor na gravidez. A recomendação é que seja usado na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível, sempre com acompanhamento médico.
Especialistas alertam que febre alta durante a gestação, se não tratada, também pode trazer riscos ao desenvolvimento do feto. Por isso, o consenso é de que o uso responsável e orientado do paracetamol é preferível a deixar sintomas importantes sem tratamento.
Enquanto novos estudos buscam esclarecer definitivamente a relação entre o medicamento e os transtornos do neurodesenvolvimento, médicos reforçam a importância de não se automedicar e de discutir sempre com o profissional de saúde a melhor forma de controlar dor e febre durante a gravidez.


